O Centro de Trabalho Indigenista (CTI) disponibiliza para download o Yi Esaikáp – Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena Andirá-Marau. Publicado em 2023, o documento é fruto de um amplo processo participativo conduzido pelos próprios Sateré-Mawé e reúne estratégias para proteger o território e orientar sua gestão pelas próximas gerações.
Homologada em 1986, a Terra Indígena Andirá-Marau possui 788.528 hectares distribuídos entre municípios do Amazonas e do Pará. Os Sateré-Mawé vivem nessa região desde tempos imemoriais, falam a língua sateré, do tronco Tupi, e são reconhecidos por terem domesticado o warana (guaraná), elemento central de sua cultura, organização social e economia.
Na apresentação da publicação, o tuxaua Bernardo Alves e Jeferson Santos dos Santos lembram que o cuidado com o território faz parte da história do povo Sateré-Mawé: “O povo Sateré-Mawé sempre respeita a Mãe Terra. Foram construídos procedimentos para não destruir os solos, os rios, as florestas, os animais e o ar. Essas regras nunca foram escritas no papel, porém gravadas na nossa memória.”
Eles também destacam que a demarcação trouxe mais segurança ao território, mas o crescimento da população e o aumento das pressões externas tornaram ainda mais necessário planejar o uso dos recursos naturais e garantir sua conservação.
A construção do PGTA começou em 2017. Ao longo de vários anos, lideranças, agentes ambientais e comunitários participaram de reuniões em diferentes regiões da Terra Indígena, oficinas de formação, expedições de mapeamento e diagnóstico e encontros para de devolutiva do diagnóstico nos rios Andirá e no Marau.
Durante esse processo, foram identificadas ameaças como o avanço do desmatamento, invasões de caçadores e madeireiros, a poluição dos rios e a pressão para que indígenas participem de atividades ilegais, como o garimpo e a extração de madeira.
Os dados reunidos para o plano mostram que, entre 1987 e 2019, a área desmatada da Terra Indígena passou de 34.331 para 43.460 hectares — o equivalente a cerca de 43 mil campos de futebol.
Com 296 páginas, em português e na língua sateré, o Yi Esaikáp reúne a história do povo e da Terra Indígena Andirá-Marau, apresenta o processo de construção do PGTA e aborda temas como cultura, organização política, roças, caça, pesca, saúde, educação escolar e gestão territorial, trazendo os acordos feitos pelos Tuxauas (chefes políticos) para cada tema. A publicação também traz mapas, fotografias, diagnósticos, listas de espécies da fauna e da flora registradas durante sua elaboração e um plano de ação construído pelas comunidades para orientar a implementação do PGTA.
Para a coordenadora da Ação Estratégica Sateré-Mawé, Sônia Lorenz, o documento amplia o debate sobre gestão territorial ao relacioná-lo aos desafios da emergência climática. “Quando falamos de emergência climática, estamos falando também de território. O Yi Esaikáp mostra que o planejamento territorial construído pelos Sateré-Mawé é uma ferramenta concreta para enfrentar os impactos da crise climática e garantir a proteção da floresta para as próximas gerações.”
Resultado de um processo coletivo, o Yi Esaikáp reafirma o protagonismo dos Sateré-Mawé na proteção de seu território, de seus conhecimentos e de seu modo de vida.
Ao longo da elaboração do plano, coube ao CTI organizar e sistematizar o material produzido pelas comunidades. A publicação contou com apoio financeiro do Fundo Amazônia (FAM).
A publicação está disponível para download gratuito aqui.

