Organizar Para Proteger é a proposta indígena para conter devastação dos biomas brasileiros

Lançada durante o Abril Indígena nas redes sociais, Organizar Para Proteger é uma campanha de conscientização para a importância do trabalho desempenhado por organizações indígenas na defesa de seus territórios e biomas associados.

A campanha é fruto do trabalho conjunto do CTI (Centro de Trabalho Indigenista) e seis organizações indígenas: a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), que atua na Amazônia; a Associação Wyty Catë das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins, presente no Cerrado e em áreas de transição da Amazônia; a Comissão Guarani Yvyrupa, que opera na Mata Atlântica e no Pampa; a Apoinme (Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), presente na Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga; a Associação Xavante Warã e o Conselho Terena, que atuam no Cerrado e Pantanal.

Em comum, tais entidades articulam a defesa dos direitos territoriais dos diversos povos organizados e fortalecem os modos de vida que protegem e recuperam a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos nas Terras Indígenas.

Confira o vídeo de lançamento da campanha:

O último relatório da Plataforma Intergovernamental Sobre a Biodiversidade e os Serviços Ecossistêmicos (IPBES) da Organização das Nações Unidas (ONU) destaca que as terras habitadas por povos indígenas são onde melhor se protege a biodiversidade no mundo. Isso se deve tanto à defesa promovida pelos povos indígenas no monitoramento de suas terras contra invasões, desmatamentos e empreendimentos que atendem interesses particulares, como também pelas atividades diárias de manejo da fauna e flora, pela recuperação de áreas degradadas e o plantio de variedades de plantas que estão se perdendo.

A urgência de medidas para frear a crise climática se tornou um consenso mundial, exceto para os representantes de governos autoritários, como o atual caso brasileiro. Com a campanha #OrganizarParaProteger, mostramos que as organizações indígenas, de maneira autônoma, estão trabalhando em seus próprios projetos para o futuro. A demarcação de Terras Indígenas, as políticas de proteção dos territórios e o fortalecimento das formas tradicionais de vida são a melhor maneira de protegermos a biodiversidade na Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga e Pampa.

A campanha chega em um cenário de flexibilização das leis ambientais no Brasil e de ataques sistemáticos às organizações indígenas do país. Mais do que nunca, é necessário organizar para proteger.