Roças indígenas multiplicam-se na cidade de São Paulo

Já são mais de 80 roças dedicadas a 190 variedades de cultivos agroecológicos na Terra Indígena Tenondé Porã; quatro em cada dez agricultores guarani são mulheres

Um estudo inédito produzido por pesquisadores do povo Guarani e técnicos do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), e publicado essa semana, revela mais uma das contribuições das Terras Indígenas para a cidade de São Paulo (SP): produção agrícola aliada à conservação da biodiversidade.

As informações, levantadas por meio de questionários digitais e pesquisas de campo, mostram que já são mais de 80 roças dedicadas ao plantio de 190 variedades de cultivos agrícolas, considerando apenas seis aldeias que fizeram parte do estudo na Terra Indígena Tenondé Porã, no distrito de Parelheiros, zona sul da capital.

Acesse o estudo “Os agricultores guarani e a atual produção agrícola na Terra Indígena Tenondé Porã – Município de São Paulo” aqui.

O estudo mostra que cerca de um terço da população da Terra Indígena, de aproximadamente 1500 pessoas, compõe grupos que têm o plantio como umas das principais atividades cotidianas. Além disso, o levantamento também apontou que quatro em cada dez desses agricultores indígenas são mulheres. Somente de milho e mandioca, estima-se uma produção total de cerca de 16 toneladas.

É a primeira vez que as práticas de cultivo indígena na capital paulista são documentadas, embora a rica agrobiodiversidade das roças guarani em São Paulo seja há muito tempo conhecida. Nas roças guarani são colecionadas mais de 50 variedades de batata doce, 16 de milho, 14 de mandioca, 10 de feijão e 11 de abóbora.

Fruto do projeto Ligue os Pontos, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano de São Paulo, a publicação faz parte de uma série de outros estudos que deram visibilidade às áreas rurais da capital paulista.

Sobre o PL do #CinturãoVerdeGuarani
Para fortalecer suas iniciativas no cultivo de alimentos, os Guarani estabeleceram parcerias, com destaque para o Programa Aldeias, com a Secretaria Municipal de Cultura do Município de São Paulo. Desde 2015 o programa apoia atividades de plantio e práticas associadas à agricultura guarani, além de possibilitar o fortalecimento ambiental, cultural e político das Terras Indígenas presentes no Município como parte da diversidade cultural e guardiãs da riqueza ambiental paulistana.

A garantia da continuidade e ampliação do Programa Aldeias como política pública é uma demanda das comunidades guarani, objeto do PL 181/2016, apelidado de PL do Cinturão Verde Guarani, que tem como proposta a instituição da Política Municipal de Fortalecimento Ambiental, Cultural e Social de Terras Indígenas.

O projeto se encontra em fase de aprovação na Câmara Municipal de São Paulo, por isso, nos últimos meses, os Guarani iniciaram uma campanha exigindo um posicionamento do prefeito Bruno Covas para acelerar a tramitação, mas ainda aguardam resposta.

Confira um trecho da publicação
“O nhandereko, modo de viver guarani, constitui o conjunto de práticas e saberes que os Guarani guardam como um tesouro, assim como as sementes de seus cultivos. É por meio desses ensinamentos, protegidos e reproduzidos entre as gerações, que se encontra novamente a potência de sua agricultura que, tão resiliente quanto seu povo, insiste em continuar florescendo. Assim, é possível identificar em diversas expressões de seu modo de vida tradicional elementos que demonstram o profundo enraizamento da prática do plantio na cultura guarani. Segundo os anciãos e anciãs guarani, os xeramoĩ e as xejariy, os diversos tembi’u ete’i – os alimentos verdadeiros – são variantes dos cultivos que as divindades guarani possuem em suas moradas celestes. Alimentar-se deles é uma das condições para se ter corpos mais saudáveis, imitando o comportamento das divindades”.

Leia a íntegra do “Cadastro da produção agrícola Guarani”

Plataforma do #CinturãoVerdeGuarani

Leia a íntegra do Projeto de Lei 181/2016

Saiba mais sobre o povo Guarani

Reportagem “Como os Guarani estão usando seu Território para viver melhor e preservar a riqueza ambiental de São Paulo”, do CTI – Programa Aldeias