Foto: Daniel Valverde / Acervo CTI

Defesa dos direitos dos povos indígenas marca evento dos 30 anos da Constituição

Na segunda-feira (19) diversas lideranças estiveram reunidas no Memorial dos Povos Indígenas em Brasília para um ato em defesa dos direitos constitucionais dos povos originários. O ato convocado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e pela Mobilização Nacional Indígena marcou os 30 anos do reconhecimento dos direitos desses povos na Constituição Federal de 1988. As lideranças indígenas consideram que o atual momento político coloca em risco tais direitos.

Além das lideranças indígenas, membros do Centro de Trabalho Indigenista – CTI, do Instituto Socioambiental – ISA, do Conselho Indigenista Missionário – Cimi e servidores públicos do Ministério Público Federal e da Fundação Nacional do Índio também se manifestaram em defesa desses direitos. O evento, que reuniu cerca de 70 pessoas, teve o apoio do Projeto Culturas Vivas, desenvolvido pelo CTI em parceria com a Secretaria de Cultura do Distrito Federal.

Primeira mulher indígena eleita Deputada Federal, Joênia Wapichana esteve presente no evento. “Minha preocupação abrange as invasões das Terras Indígenas, com os projetos de mineração que pretendem aprovar a qualquer custo. Devemos ficar em alerta diante desse contexto nacional”, diz a deputada. “É o momento de fazer valer os direitos que nossos ancestrais garantiram na Constituição”, completa.

Uma delegação de 15 lideranças Guarani se deslocou do Oeste do Paraná para participar do ato em Brasília. Ilson Soares, cacique da aldeia Y’Hovy, em Guaíra, foi o representante do grupo e falou da situação das aldeias na região, onde a morosidade nos processos de demarcação coloca as comunidades em situações de risco.

“Em Santa Helena e Itaipulândia a justiça ordenou o despejo de nossas comunidades a mando da Itaipu. Em Guaíra e Terra Roxa o processo de demarcação foi suspenso na justiça. Depois de quase 10 anos de luta ainda estamos apenas na primeira etapa da demarcação”, denuncia Ilson Soares. “Estamos em 20 aldeias no Oeste do Paraná, todas em situação de acampamento e de extrema vulnerabilidade”, comenta.

Alberto Terena, membro da Coordenação da APIB, também se preocupa com o momento político do país e com as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro. “O novo governo quer nos dividir dizendo que terão direitos os ‘índios do bem’, ou seja, somente aqueles que abraçarem os interesses dos que querem entrar em nossas terras e tirar o que nos pertence, querem nos deixar com migalhas”, opina.

Para a liderança do povo Terena, o movimento indígena deve continuar reivindicando seus direitos territoriais. “Não dá para ficarmos somente ouvindo essa propaganda de que não vai dar mais nenhum centímetro de terra para nós. Nunca nos deram nada, nós que tivemos que exigir esse direito”, aponta Alberto.

Após as falas da mesa o microfone ficou aberto para a participação do público indígena. O evento encerrou com rezas e cantos dos diversos povos indígenas presentes.

Confira imagens do evento: