Com destaque para pesquisadores indígenas, USP promove seminário sobre povo Guarani

Neste mês de setembro, a Universidade de São Paulo (USP) será ocupada pelo povo Guarani. Entre os dias 24 e 27, acontece o II Seminário Internacional Etnologia Guarani: redes de conhecimento e contribuições, que traz para a capital paulista pesquisadores de diversas regiões do Brasil e países vizinhos.

O seminário, coordenado pelos antropólogos Dominique Tilkin Gallois (USP) e Levi Marques Pereira (UFGD), promove o diálogo entre acadêmicos indígenas e não indígenas, com o objetivo de refletir sobre a produção do conhecimento antropológico junto aos povos falantes da língua guarani – que somam hoje mais de 280 mil pessoas na América Latina, a maioria vivendo no Brasil. 

Uma das preocupações dos organizadores foi garantir que o evento conte com a presença expressiva não só de pesquisadores, mas também de conhecedores indígenas, mestres dos cantos-rezas, dos processos de cura, artistas e lideranças políticas. A programação traz especialistas e lideranças indígenas em todas as suas mesas, além de dois fóruns totalmente voltados aos participantes guarani, um sobre a educação escolar e outro sobre o direito à terra.

Ao longo da semana serão debatidos desde as artes guarani até os modos tradicionais de conhecer e habitar seus territórios. Quem passar pela FFLCH nos dias do evento poderá ouvir Eliel Benites, professor kaiowa da Faculdade Intercultural Indígena da UFGD, refletir sobre as contribuições dos Guarani para a Antropologia contemporânea, e os parceiros de pesquisa Tiago Honório dos Santos, professor mbya, e Lucas Keese dos Santos, antropólogo, discutirem as ações políticas guarani. Os organizadores desejam promover uma metodologia colaborativa, que busca levar a sério o que dizem os intelectuais guarani enquanto produtores de conhecimento, enfatizando seus próprios modelos analíticos.  

“A grande questão”, afirma Lauriene Seraguza, doutoranda em Antropologia na USP e uma das organizadoras do evento, “é trazer os Guarani para dentro desse espaço, considerando que São Paulo sempre foi terra guarani, mas que esse lugar [a universidade] nunca foi deles”.

Na opinião de Seraguza, as políticas de ação afirmativa têm sido fundamentais para garantir que grupos historicamente marginalizados possam ter acesso ao ensino superior, o que ajuda a ciência brasileira a se abrir para novos horizontes.

Cinema Guarani

A autoria indígena também é destaque em uma mostra de cinema, parte da programação paralela do evento. São obras audiovisuais produzidas pelos Guarani ou em parceria com eles, que revelam sua potência criativa e diversidade ao explorar questões como a luta pela terra, a circulação de saberes, o xamanismo, as relações de gênero e as práticas socioambientais deste povo. As exibições são todas gratuitas e ocorrem no CINUSP Paulo Emílio, na Cidade Universitária.

O seminário, que chega agora a sua segunda edição, é promovido pelo Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo (CEstA-USP) e pelo grupo de Etnologia e História Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), e ocorre no Departamento de Antropologia da FFLCH/USP, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas da Faculdade Intercultural Indígena da UFGD (Prolind/FAIND/UFGD), da Ação Saberes Indígenas na Escola/Núcleo USP, do Centro de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (Cepedis), do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), da Rede de Cooperação Amazônica (RCA) e da Rainforest Foundation (RFN).

Serviço

O quê? II Seminário Internacional Etnologia Guarani: redes de conhecimento e colaborações

Quando? 24 a 27 de setembro de 2019

Onde? Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP

Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 – Butantã, São Paulo

Mais informações
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