Brasil e Peru articulam estratégias para proteção de povos indígenas isolados

set 28, 2026

Encontro reuniu lideranças indígenas, organizações e instituições dos dois países para trocar experiências de vigilância territorial e construir ações conjuntas nos corredores Pano-Aruak e Javari-Tapiche

A proteção dos povos indígenas isolados ultrapassa as fronteiras entre Brasil e Peru. No Acre, Amazonas e na Amazônia peruana, territórios indígenas formam áreas contínuas onde circulam povos em isolamento voluntário e onde comunidades desenvolvem diferentes estratégias de vigilância e proteção.

Entre os dias 26 e 28 de agosto, essas experiências estiveram no centro do encontro “Fortalecendo os Corredores Territoriais para Proteção de Povos Isolados na Fronteira Brasil–Peru”. Lideranças indígenas, organizações indigenistas e representantes de instituições públicas se reuniram para compartilhar informações e pensar ações articuladas para a proteção dos povos isolados e de seus territórios.

A atividade contou com a participação da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) e de assessoria do Programa Javari do Centro de Trabalho Indigenista (CTI).

Experiências que atravessam a fronteira

Durante o encontro, participantes apresentaram experiências de monitoramento e proteção territorial realizadas em diferentes regiões do lado brasileiro. Entre elas estão as Terras Indígenas Mamoadate, Kaxinawá do Rio Humaitá, Cabeceira do Rio Acre, Alto Envira e Vale do Javari.

Do lado peruano, também foram compartilhadas ações de vigilância desenvolvidas em comunidades como Monte Salvado, Puerto Nuevo e Nueva Oceania. A troca permitiu colocar em diálogo estratégias construídas em diferentes territórios que convivem com a presença de povos indígenas isolados.

No segundo e no terceiro dia, as discussões reuniram organizações indígenas e indigenistas, como FENAMAD, OPIRJ, CTI, OPI e CPI-Acre, além do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), representada por suas Frentes de Proteção Etnoambiental.

Um plano construído em conjunto

A principal construção dos três dias de encontro foi um Plano de Trabalho Conjunto, que prevê ações entre setembro de 2026 e dezembro de 2027.

O planejamento busca articular iniciativas de proteção desenvolvidas nos corredores territoriais Pano-Aruak e Javari-Tapiche, aproximando organizações, comunidades e instituições que atuam nos diferentes lados da fronteira.

A construção conjunta também busca dar suporte às políticas públicas voltadas aos povos indígenas isolados e ampliar a articulação entre as experiências de vigilância e proteção realizadas pelos próprios povos indígenas em seus territórios.

O encontro foi organizado pela Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI/Acre), Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre, Associação dos Povos Indígenas do Rio Humaitá (ASPIRH) e Associação Manxinerune Ptohi Phunputuru Poktshi (MAPPHA).