Por Tiago Kirixi Munduruku/CTI
A Assembleia da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC) foi realizada entre os dias 20 e 23 de março, em Brasília (DF), reunindo lideranças indígenas de diferentes regiões do Cerrado. O encontro teve como foco a articulação política, o fortalecimento da mobilização e a construção de estratégias diante dos desafios enfrentados nos territórios.
Articulação e visibilidade dos povos do Cerrado
Na abertura, as lideranças destacaram a MOPIC como um espaço fundamental de organização e afirmação da identidade dos povos indígenas do Cerrado, historicamente pouco visibilizados nos debates nacionais. As falas reforçaram a importância de reconhecer o bioma e seus povos como protagonistas na defesa de seus territórios e modos de vida.






Ao longo dos dias, a assembleia foi marcada pela troca de experiências entre os povos, fortalecendo vínculos e ampliando o diálogo entre diferentes regiões. A construção coletiva da agenda permitiu alinhar prioridades e consolidar caminhos para a atuação conjunta.
Debates sobre território, água e ameaças ao bioma
Os debates se concentraram em temas centrais que impactam diretamente os territórios indígenas. Entre os principais pontos estiveram a defesa das terras indígenas, com foco na demarcação e proteção, além dos impactos do agronegócio, do uso de agrotóxicos, da mineração e de grandes empreendimentos, como rodovias, ferrovias e pequenas centrais hidrelétricas.
Também ganharam destaque as discussões sobre o acesso à água de qualidade, considerando a importância das nascentes, rios e poços para a vida nas comunidades. Estratégias de conservação do Cerrado e uso sustentável dos recursos naturais, como a agricultura tradicional, o extrativismo e a restauração ambiental, também estiveram no centro dos diálogos.
A apresentação de diagnósticos sobre os povos e territórios indígenas do Cerrado contribuiu para aprofundar as análises e orientar a definição de propostas e encaminhamentos.
Reorganização interna e eleição da nova coordenação
Um dos momentos mais importantes da assembleia foi a reorganização interna da MOPIC, com a eleição da nova coordenação. Para a coordenação geral, foi eleita Arlete Krikati, tendo como vice Dilson Guarani Kaiowá. Também foram definidos representantes regionais em estados como Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais.
“Assumir essa responsabilidade é também continuar uma luta que vem de muito tempo. A MOPIC nasceu em um contexto difícil, e hoje a gente segue fortalecendo essa caminhada, defendendo nossos territórios e valorizando nossos povos”, afirmou Arlete.






Conhecida como Pe’cyr em sua língua, Arlete é do povo Krikati, do Maranhão, e tem uma trajetória marcada pela atuação no movimento indígena e na defesa do Cerrado. Moradora da aldeia São José, acompanhou de perto a criação da MOPIC e agora assume a coordenação geral com o compromisso de fortalecer a organização e ampliar a incidência política dos povos do bioma.
Encaminhamentos e fortalecimento da mobilização
A assembleia foi encerrada após quatro dias de debates, articulações e definições estratégicas. Ao final, foram estabelecidas prioridades e caminhos para fortalecer a atuação conjunta da MOPIC diante dos desafios enfrentados nos territórios.
O encontro reforçou a importância da mobilização como espaço de unidade entre os povos indígenas do Cerrado, consolidando estratégias para ampliar sua presença nos espaços de decisão e seguir na defesa dos territórios, das águas, da biodiversidade e dos modos de vida tradicionais.

